Todos saindo do armário

“Sair do armário” é uma expressão do contexto LGBT em que um sujeito passa por um processo psicológico onde toma a decisão, na maioria das vezes, de assumir riscos, de tornar pública sua orientação sexual e identidade de gênero.  `E um ato de emancipação e libertação da opressão social, um rito de passagem para aquele que se reencontra com sua intimidade. E então, o consequente “orgulho LGBT”.

Confesso que ainda me causa estranheza algumas atitudes contrárias de pessoas em relação ao fato. Poderíamos debater por horas a gênese disso, porém, por não ser o objetivo deste artigo, prefiro simplesmente dizer que a escolha de qualquer pessoa com quem gostaria de trocar carinhos, dividir projetos de vida ou namorar é uma questão privativa. Prefiro encarar como natural a possibilidade de acasalamentos entre os “diversos” gêneros. Só isso.

 Torna-se cada vez mais claro que a voz desse segmento social esta sendo ouvida (quer você goste ou não) e legitimada com suas reivindicações na sociedade. Você pode até torcer o nariz, fazer cara feia e resmungar, mas eles deixaram de ser “invisíveis”.  Agora, visivelmente ocupam nosso espaço social.

Quero trazer essas considerações inicias sobre a “libertação” da sexualidade humana por ser um tema controverso, mas, acima de tudo, denunciante do quanto somos “primitivos” na compressão e aceitação daquilo que o outro não escolheu ser. Ele apenas é. Nesse caso, com o advento das Redes Sociais, as pessoas baixaram a guarda, esconderam a mascara social e cada vez mais demonstram “descaradamente” aquilo que são.

É nítido e notório pra todos, aquilo que os estudos antropológicos já indicaram de longa data. O homem é um animal ambicioso, voraz, predador, prepotente e absolutamente nada acolhedor com as diferenças do outro. Se você não acredita em mim, sugiro que faça uma postagem pública, íntima e verdadeira sobre uma situação social, depois conte quanto tempo vai demorar a aparecer algum comentário maldoso, preconceituoso e nada solidário sobre você e suas ideias. Com certeza alguém terá uma crítica e estará  convicta de sua da sentença cabal: daquilo que você é mesmo sem conhecê-lo pessoalmente. E cá entre nós, tal sentença não será nada amorosa.

As Redes Sociais denunciaram nosso interior humano e nada acolhedor.

Se sair do armário foi um movimento de liberdade e encontro consigo mesmo para a população LGBT, denunciando o quanto a sexualidade humana é diversa e tem possibilidades de rearranjos; a “saída do armário”, nas redes, denuncia o quanto somos primitivos no convívio social.  Mesmo assim, não deixa de ser um reencontro, pois está é a “natureza” do animal homem. 

Sinto muito, mas para sermos realmente civilizados, é preciso, admitir e tornar visível nosso interior obscuro. Perceber seus traços desagradáveis e tendências nada fáceis de conviver. O possível incômodo ou inconformismo decorrente desse processo é a saída para “tentarmos”, ai sim por opção racional, irmos contra essa orientação humana.

Alguns chamarão de “religião”, outros de “politica”, haverá aqueles que citarão “movimentos sociológicos”, ou mesmo os que denominarão “ideologias”, mas o fato é que as forças civilizatórias surgem a partir dessa necessidade de domarmos nosso interior. E então, talvez surja o consequente “orgulho humano”.

Mas, não sejamos hipócritas. É difícil... Daí, esse artigo!

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