Eterno aprendiz

Com a experiência de (re) conhecer as trajetórias das pessoas, descobri o quanto o ser humano é criativo em sua forma de perceber a realidade e ao mesmo tempo o quanto complica sua história por deixar de ver o óbvio de algumas situações.Dizem os estudiosos do comportamento que as pessoas são previsíveis e, portanto, podem ser antecipadas em suas reações. De alguma maneira, eles até têm certa razão, porém, ao mesmo tempo, aprendi com a experiência profissional que todo e qualquer comportamento humano só é possível de ser completamente compreendido, conhecendo a história de vida de quem o pratica. Diante dessas constatações, penso que o ser humano deveria ser sempre estimulado a refletir sobre suas próprias atitudes. Conhecer-se para (re) pensar sobre si mesmo sem ideias preconcebidas.

Por outro lado, na prática, na maioria das vezes, tudo é visto como certo ou errado, do bem ou do mal, melhor ou pior etc., antes mesmo de entender se o que se vê é real ou imaginário. Muitos se esquecem de considerar a referência do outro, o papel do outro, o lugar do outro e a visão do outro. Assim tudo fica complicado, afinal, como diz a velha máxima: a liberdade de um termina quando começa a liberdade do outro. Filosofia... Talvez, mas também uma justificativa criada para não admitirmos que essa experiência de convivência social é, na verdade, um grande prazer associado a um sofrimento inevitável.

Por tudo isso, acredito que uma possibilidade de facilitar a compreensão de determinado comportamento humano é deixar seu autor contar sua própria versão, sem repressão ou preocupação. Se soubéssemos ouvir mais uns aos outros, perceberíamos melhor a complexidade das relações e descobriríamos as possibilidades de novos pontos de vista.E daí?! Sabe aquela brincadeira de ligar os pontos formando gravuras ou cenas nas revistas de passatempo? Pois é, analogamente poderíamos visualizar melhor as situações se ligássemos vários pontos de vista em nosso cotidiano. As cenas vividas seriam mais claras e completas. Além disso, as pessoas seriam mais bem percebidas em suas intenções.

A ciência já deixou mais do que claro que somos seres sociais e que necessitamos estar em grupo para melhor sobrevivermos. Por isso temos que cumprir regras, dentre as quaisaquela que implicitamente determina que, por educação, não se deve falar ou demonstrar algumas coisas às pessoas. Concordo, admito e acho inevitável termos essa norma/regra em sociedade, porém não devemos subestimar nossa inteligência esquecendo que há um preço por isso: há uma grande chance de estarmos nos iludindo em nossos relacionamentos, omitindo e mentindo despudoradamente. Por outro lado, seguimos “felizes”, fazendo de conta que conhecemos realmente nossos parceiros de vida.

Considerando essas indagações, suponho que para se falar de cotidiano humano de uma maneira mais esclarecedora, deve-se partir de alguns pressupostos:
a) os comportamentos das pessoas nem sempre são tão complicados de compreender;
b) na maioria das vezes não vemos aquilo que está a nossa frente;
c) dificilmente vamos conseguir apreender/assimilar a totalidade das coisas, pois estamos sempre baseados em poucos pontos de vista das situações. Ou seja, o ser e o fazer humano são sempre limitados.

Por outro lado, e apesar dessa extrema dificuldade imposta pela realidade, o relacionamento entre as pessoas ainda é a melhor lição de vida. Nada é mais fascinante e também doloroso do que ser e estar com alguém.A princípio isso pode parecer contraditório, sem rumo, dialético e confuso. Não é minha intenção... Mas é preciso dizer e aceitar que a vida, em alguns aspectos, é assim mesmo.

Concluindo, a experiência é a mestra da sabedoria. Viver a vida ainda é a melhor saída para compreendê-la.Porém, somos limitados, temos expectativas e ilusões de felicidade. É preciso ter sempre a coragem de ousar e admitir possibilidades novas de (re) construir a nossa história.Sendo assim, cabe sempre salientar que do encontro entre dois indivíduos pode-se informar e formar duas novas pessoas, desde que haja disposição e exposição, ou seja, desse envolvimento faz-se o desenvolvimento.

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