Transtorno Psicótico Crônico


Algumas pessoas, em um determinado momento de sua vida, tornam-se muito estranhas, com dificuldades graves de relacionamento interpessoal, com discurso esquisito, admitindo ouvir vozes e/ou são pegos conversando sozinhas, tem ideias absurdas quanto a sua identidade, capacidades ou poderes, além de queixas físicas bizarras. Desde esse momento, tem sérias dificuldades no campo profissional, ambiente escolar e convívio familiar. Costumam negligenciar seu autocuidado e tomam decisões absurdas que comprometem sua qualidade de vida.
O curioso, nestes casos, é que os familiares e amigos relatam que a partir dessa época, estas pessoas nunca mais foram às mesmas e/ou conseguiram organizar-se minimamente tanto do ponto de vista emocional como social.
Além deste constante “estado estranho” de ser, também apresentam episódios agudos, descritos como surtos psicóticos, onde necessitam de rigorosa observação e cuidados, pois comprometem sua autonomia e/ou capacidade de autogerência social.

Principais sinais e sintomas:

Audição de vozes e/ou visão de coisas inexistentes, crenças e medos estranhos, comportamentos confusos, bizarros ou inadequados do ponto de vista social, sensação intensa de apreensão infundada, dificuldades extremas no convívio interpessoal (retraimento, desconfiança, ameaças descabidas), falas desconexas e desorganizadas, estados emocionais extremos e lábeis, episódios de agitação e/ou excitação psicomotora, ideias firmemente defendidas que são claramente falsas e não compartilhadas por outras pessoas do grupo social, sensações falsas ou imaginadas. Atitudes assustadoras.  Avaliando a história de vida fica claramente observável que em determinado momento houve uma espécie de ruptura em sua “personalidade”, sendo que a pessoa nunca mais funcionou adequadamente do ponto de vista afetivo, familiar ou social.

Informações e dicas relevantes:

É fundamental esclarecer as pessoas próximas aos pacientes que os episódios de agitação, os comportamentos estranhos e atitudes assustadoras são sintomas de uma doença mental, portanto, estes não têm crítica do que estão fazendo ou causando aos outros. Sendo assim é preciso assegurar a segurança do paciente e de quem cuida ou convive com ele, com muita atenção na integridade física de todos os envolvidos. Cabe também assegurar que as necessidades básicas do paciente (p.ex. comida e bebida) sejam satisfeitas. Além de algumas medidas legais para preservar os direitos do paciente.
Os sintomas mais graves podem ir e vir com o passar do tempo, torna-se necessário à prudência e preparação para as recaídas. Portanto, é preciso minimizar ao máximo o estresse e estimulação no cotidiano destes pacientes.
Sugere-se não discutir com as ideias estranhas, pode-se até discordar das crenças, mas não tente argumentar que elas estão erradas. Evite a confrontação ou crítica, a menos que esteja em risco a integridade física de alguém, ou seja, necessário para prevenir um comportamento disruptivo. Nos casos em que claramente se percebe alto risco a integridade física do paciente e outrem, cabe avaliar a possibilidade de internação ou rigorosa observação em um lugar seguro. Se houver recusa dos pacientes em relação ao tratamento, podem ser necessárias medidas judiciais.
O tratamento contínuo é fundamental onde a abordagem multiprofissional pode ser necessária conforme as singularidades do caso, ou seja, além da abordagem médica, pode ser preciso ajuda psicológica, de uma terapeuta ocupacional, assistente social, educador físico, acompanhante terapêutico, etc.

Propostas de cuidados adequados:

É indispensável o uso de medicação antipsicótica, sendo esta prescrita em doses adequadas e de maneira regular. Nesse caso, é preciso garantir, às vezes, através da administração supervisionada, o uso dos remédios. Ou seja, não cabe deixar as medicações, nas crises, sob os cuidados do próprio paciente. Porém, excetuando-se estes momentos, cabe orientar e ensinar o paciente quanto à necessidade do uso correto das medicações e estimular sua própria responsabilidade com seu tratamento.
A medicação deve ser administrada por um longo tempo, geralmente anos, portanto, deve-se fazer um controle clínico rigoroso quanto aos efeitos colaterais dos remédios (distonias, acatisia, impregnação, etc.). Havendo resistência ou falta de aderência do paciente a abordagem medicamentosa, deve-se considerar o uso da medicação injetável (intramuscular) de ação prolongada que pode assegurar a continuidade do tratamento e reduzir o risco de recaída.
Sempre que possível encorajar a retomada das atividades normais do cotidiano do paciente. Não discutir, propor ou decidir questões relevantes na vida do paciente sem o seu conhecimento.
A confiança na relação médico-paciente é indispensável para um bom prognóstico e tratamento, portanto, os familiares devem ser orientados a não infringir a “ética” nestes casos, por exemplo, conversar com o médico, passar informações, programar mudanças nas propostas terapêuticas sem a anuência/conhecimento do paciente. Havendo discordâncias, cabe ao profissional médico buscar a negociação e preservação da autonomia mínima necessária do seu paciente enquanto sujeito e cidadão.
Por outro lado, cabe salientar a indispensável necessidade de participação e aderência dos familiares ao plano de tratamento,  esclarecendo as possibilidades de recaídas, efeitos das medicações nestas ocasiões, bem como os efeitos colaterais possíveis.
Com os recursos atuais das medicações usadas nestes quadros, pode-se afirmar serem desnecessários internações longas e isolamento do paciente do convívio social. Ou seja, não é necessário colocar o paciente em Instituições asilares e/ou afastá-lo do convivio social.
Todos os quadros com esta características necessitam da abordagem e eventual controle clínico do psiquiatra, pelo menos nas crises e/ou recaídas cuja evolução não é satisfatória, apesar do uso dos remédios.

Recomendamos para você