TDAH – Déficit de atenção na vida adulta


É comum sermos procurado no consultório ondea pessoa diz estar com problemas de memória ( esquecimentos frequentes) e de organização do seu cotidiano, como queda do rendimento escolar ou profissional e bastante distraída. Avaliando a situação descrita percebemos que o comprometimento é na verdade mais acentuado em relação à atenção- concentração.

 Por não conseguir se manter focado no seu dia-a-dia, o sujeito esquece facilmente dados do seu cotidiano, desorganiza-se, comprometendo a eficiência de suas tarefas da vida diária. Também é comum estas pessoas referirem a si mesmas como ansiosas e estressadas, porém, na descrição dos comportamentos, o que percebemos são atitudes impulsivas, sem a devida ponderação e, consequentemente, prejudicando sua convivência social. Daí o nervosismo ou estresse.

Obviamente que este sujeito sofre com a qualidade de vida imposta a si mesmo, questiona sua competência e, às vezes, abandona, ou é “convidado” a interromper projetos profissionais, acadêmicos ou pessoais, que compromete de forma significativa sua autoestima. Alguns desses casos poderiam ser evitados se procurassem uma ajuda profissional, pois, é possível que sejam portadores de um transtorno neuropsiquiátrico, que se diagnosticado corretamente e bem cuidado evitaria todo este seu sofrimento.

Esta pessoa pode ser portadora do TDAH (transtorno do déficit de atenção e hiperatividade).  Um tratamento adequado poderia resolver grande parte de seus problemas.

Mas o que é este transtorno? Ele não seria um transtorno próprio da infância, por exemplo, daquelas crianças com problemas escolares? Pode também ocorrer na vida adulta?

Este é um transtorno de base orgânica, associado a uma disfunção em áreas do córtex cerebral, conhecida como lobo pré-frontal.  Tem um forte componente hereditário constitucional, por exemplo, com seu funcionamento comprometido ocorre dificuldades com a concentração, memória, hiperatividade e impulsividade que origina os sintomas. Ele é próprio da infância, porém pode passar despercebido (principalmente se não houver a hiperatividade) o que pode ocasionar a impressão posterior de surgimento na vida adulta (o que não é verdade). 

A característica psicofisiológica mais comum é a hipofunção/hipoativação do córtex, na qual uma quantidade significativa de neurônios pulsam mais devagar que o esperado, especialmente quando as circunstâncias exigem maior esforço mental e maior ativação. Este transtorno não pode ser adquirido na vida adulta, ou conforme o ambiente externo se apresentar ou se tornar insatisfatório.  Portanto, é fundamental para o seu diagnóstico adequado uma história prévia de infância de comprometimento.

Obviamente que não podemos reduzir a vivência humana a um “cérebro” e existem também fatores ambientais que poderão participar da manifestação e evolução do transtorno: experiências pessoais, estilo de vida, convivência em família (ou grupos) desorganizada, hábitos diários sem rotina, tendência a multitarefas, etc. Nesse caso, pode-se compreender o fato de que alguns indivíduos podem chegar a algumas décadas de vida sem a manifestação clara do quadro clínico, porém isto vem  a acontecer diante de circunstâncias externas facilitadoras ou estressantes.

Outro fato importante na vida adulta são as comorbidades (outros transtornos acorrendo ao mesmo tempo) que podem mascarar ou mimetizar o quadro clinico: ansiedade generalizada, depressão, estresse, outros problemas clínicos, etc. Vale dizer que seu diagnóstico é complexo e exige treinamento especializado para fazê-lo. O tratamento é multidimensional, não deve ser feito somente a base de medicações, sendo a proposta terapêutica mais pertinente àquela que aborde todas as necessidades e limitações do sujeito portador.

 Cabe também dizer que este transtorno é perfeitamente manejável e existem várias abordagens de cuidado que podem melhorar, e muito, a qualidade de vida de seu portador, não justificando a permanência do sofrimento na vida adulta e o comprometimento acentuado de sua convivência em sociedade.

 

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