Saúde Mental e a pandemia do Coronavírus, uma experiência de aprendizado


Algumas situações extremas, inéditas ou de potencial sofrimento podem gerar estresse intenso e comprometer demais a saúde mental dos envolvidos. Estando nelas, quase sempre em algum momento, as pessoas revelam seus temores mais escondidos, bem como sua capacidade (até então adormecida), de lidar com o perigo e ameaça a sua vida. Nesta situação em que estamos não poderia ser diferente.

Neste período em que vivemos o confinamento domiciliar para evitar os sérios riscos a que estamos submetidos por conta do invisível – “inimigo público mundial n.º 1”, a Covid 19 – o que fazer para evitar a doença ou a contaminação? Como ficar em casa? E o emprego, como fica? Como vamos sair dessa? São questões que, com certeza, todos nós estamos avaliando, refletindo e buscando respostas nos últimos dias.

O Coronavírus faz parte da nossa vida há muito tempo, as maneiras de como evitá-lo já descobrimos e já deveríamos ter colocado em prática, boas condições de higiene e saneamento básico, por exemplo, evitar pôr as mãos “sujas” nos olhos ou boca. As viroses são um dos preços altos que a civilização humana, por conta da aglomeração de pessoas, tem que pagar, o ser humano tem que lidar e conviver com isso dia a dia.

Nosso sistema imunológico, desde que tenhamos uma boa qualidade de vida e autocuidado, sabe se defender muito bem desse perigo, como a febre, a tosse etc.: sintomas de um organismo que tenta se livrar do invasor. O problema é que os vírus se modificam de tempos em tempos, e com a Covid 19 nosso organismo não está “habilitado” por não conhecer essa versão, dosar essas defesas transformando os sinais clínicos em um processo perigoso de adoecer e, infelizmente, com potencial de letalidade ou sofrimento muito intenso.

A Covid 19 é uma gripe de intensidade moderada que, conforme as condições da pessoa portadora, seu sofrimento será intenso com riscos de morte, principalmente em idosos e portadores de outras doenças ao mesmo tempo. Para evitá-la, nada mais, nada menos, do que já aprendemos e deveríamos fazer sempre em relação às gripes e aos resfriados.

Sendo uma versão “inédita” do vírus, não conhecemos muito bem sua forma de agir, mas já descobrimos que ele é rápido, difunde-se exponencialmente entre as pessoas, ou seja, num grande número de indivíduos ao mesmo tempo. Daí a pandemia.

Em alguns meses ele invadiu todos os continentes e se alastrou como uma praga. Neste momento precisamos ganhar tempo para conhecê-lo, evitar novos casos rapidamente instalados e nos preparar (remédios, protocolos médicos, Sistemas de Saúde) para enfrentar os desafios impostos pela doença.

Temos que nos isolar e evitar que sua disseminação não seja ainda mais acelerada e num grande número de pessoas (transmissão comunitária). Por isso fomos obrigados a ficar em casa com os familiares, redobrando o cuidado com a higiene e evitando o contato com outras pessoas. Devido a esse contexto começam a surgir paradoxos: conviver com meus próximos num ambiente pequeno estressa e causa estranheza, por isso, outro sofrimento pode se acentuar: o mental. Ficar em casa pode ser chato, sem graça e entediante, faltam as novidades lá de fora e o movimento constante que produz sensações agradáveis.

A pandemia virou a prioridade na imprensa mundial, e não poderia ser diferente, a divulgação de informação tornou-se um importante instrumento de defesa e de educação comunitária, porém seu excesso é prejudicial, passar a maior parte do seu dia “caçando” notícias da doença é como se manter em estado de alerta o tempo todo. Cansa. Busque outras informações, outros interesses, de preferência que relaxem e te tirem do estado de ameaça e ansiedade. Movimente-se, cuide do seu corpo, faça exercícios possíveis de serem feitos em casa. Medite. Dance. Não fique parado. Corpo parado compromete a saúde mental também. Estabeleça uma rotina de atividades e tarefas.

Organizar seu horário para as atividades diárias traz segurança e controle, o ser humano gosta da sensação de vida agendada. Arrume seu guarda-roupa, armário, oficina, enfim, tudo que você sempre protelou dizendo não ter tempo. Organizar o espaço de convivência possibilita sua organização interna e, consequentemente, suas emoções. Faça o que você gosta na sua casa, como conversar na sala, cozinhar junto e tomar banho cantando. Sejam criativos com as pessoas que estão no isolamento com você. Use as redes sociais, fique conectado com o mundo, telefone para aquela pessoa que há tempos você não faz contato, e de preferência, fale das boas experiências já vividas ou ainda por experimentar. Se estiver sozinho, você pode fazer da sua “toca” um bom lugar pra se viver, mas se ainda assim se sentir angustiado e triste, peça ajuda, use os serviços de autoajuda como o CVV. Ajude a si mesmo e não potencialize seu sofrimento mental.

Obviamente que pagaremos um preço social após essa situação, economicamente seremos muito prejudicados, inclusive quanto ao emprego. Situações extremas devem ser reavaliadas periodicamente e atitudes adequadas devem ser tomadas conforme os fatos exijam seu enfrentamento. Hoje o isolamento social é indispensável, precisamos desse tempo para salvar vidas, daqui a algum tempo, aos poucos, os serviços voltarão e a nossa rotina será retomada. É preciso mais do que nunca praticarmos a resiliência, superar os desafios impostos e aprendermos com o que vida nos trouxe para ser vivido.

A melhor revolução a ser feita neste momento é acreditar e agir com amor. Acreditarmos que nossa humanidade esta sendo testada, temos a chance de sairmos milionários emocionalmente e com patrimônio cultural humano ainda maior. Aglomerados novamente, porém mais civilizados e melhores enquanto pessoas.

 

Artigos recomendados