O que são e como podem se comportar os psicopatas


O psicopata foi muito explorado no cinema, afinal suas características produzem personagens enigmáticos, estranhos, instigantes e com um potencial incrível em produzir tramas sociais peculiares. Porém, os filmes se concentraram no psicopata antissocial (também chamado de sociopata) e criam a impressão nos expectadores de que todos eles são desta maneira. Cabe deixar claro que nem todo psicopata é um sociopata. 

Mas então, o que são e como podem se comportar os psicopatas?

O psicopata é um sujeito portador de um transtorno de personalidade, caracterizado pelo comprometimento grave do caráter e dos comportamentos que envolvem sua maneira de ser como um todo. Quase sempre tem uma tendência a ruptura das regras da boa convivência interpessoal, com uma incapacidade irreversível de adaptação a situações sociais.

Os padrões anormais de comportamento são permanentes, invasivos (sofrem e fazem sofrer) e não aprendem com as experiências por mais relevante que seja uma vivência, esta não altera a forma de reação do sujeito. Sua maneira de ser também não está relacionada ao surgimento de uma doença mental.

As personalidades psicopáticas existem porque alguns indivíduos nascem com uma incapacidade de adquirir (ou vivenciar) sentimentos chamados de superiores (aqueles que construímos ao longo da nossa história de vida): generosidade, bondade, honestidade, vergonha, pudor, sentimento de culpa, honra, sentimento de nojo, sentimento de pena, etc.

Este sujeito não experimenta seus sentimentos influenciados por uma cultura ou regra social. Costumam ser instintivo e primitivo em suas vivências. Obviamente que há inúmeras maneiras de consolidação de uma personalidade desse tipo. O psiquiatra alemão Kurt Schneider (1887 -1967) classificou seus portadores e chamou a atenção para a desarmonia destas personalidades e de suas relações interpessoais.

Para se fazer este diagnóstico é preciso tomar muito cuidado com os critérios utilizados. Por exemplo, não se deve estabelecer este diagnóstico antes da conclusão da adolescência, ou seja, por volta dos 18 anos. Só podemos concluir (ou perceber) uma personalidade alterada após ela estar consolidada. É preciso considerar o meio cultural para evitar excessos, desconsiderar os antecedentes socioculturais dos portadores diferentes dos antecedentes do entrevistador.

A análise deve ser longitudinal e baseada na biografia do individuo utilizando de diversas entrevistas e múltiplas fontes de informações. Não é um simples comportamento (por mais estranho que pareça) que define este transtorno de personalidade. Estas entrevistas devem ser clínicas e especializadas.

Várias são as possibilidades de construção destas personalidades, porém algumas características costumam ser mais evidentes e frequentes. Schneider costumava dizer que há tantas personalidades quanto é possível uma pessoa ser. Entretanto, saliente-se que, do ponto de vista geral e para todos os transtornos de personalidade, deve-se considerar o que foi descrito nos parágrafos anteriores antes de levantar a hipótese de sua existência no indivíduo. Segue abaixo alguns traços de certas psicopatias, lembrando que algumas delas já foram temas de artigos isolados:

Personalidade paranoide: desconfiança constante, sensível a decepções e críticas, rancoroso, arrogante, tende a culpar os outros, reivindicativo, sente-se frequentemente prejudicado nas relações.
Personalidade esquizoide: frio (indiferente), distante, sem relações íntimas, estranho, vive no seu próprio mundo, solitário, não se emociona (imperturbável).
Personalidade impulsiva: explosivo, imprevisível, não sabe esperar, não tolera frustrações, não faz planos para o futuro, não pensa antes de agir, não consegue refletir.
Personalidade histriônica: dramatiza excessivamente, é muito teatral, sugestionável e superficial, necessita de atenção e excitação, manipulativo, deseja atenção constante, infantil e pueril, tende a erotizar situações não convencionalmente erotizáveis.
Personalidade anancástica: rígido, metódico, minucioso, não tolera variações ou improvisações, perfeccionista, muito convencional, controlador (dos outros e de si), indeciso
Personalidade dependente: depende extremamente dos outros, necessita agradar o tempo todo, desamparado, sem iniciativa, sem energia, sem autonomia pessoal. Não consegue decidir sozinho.
Personalidade esquizotípica: ideias e crenças estranhas (geralmentede autoreferência),desconforto nas relações interpessoais, pensamento muito vago e excessivamente metafórico, aparência física excêntrica.
Personalidade narcísica: considera-se superior, quer ser reconhecido como especial e único, fantasias de grande sucesso pessoal, requer admiração excessiva, frequentemente arrogante.
Personalidade sociopática: irresponsável, inconsequente, frio, insensível, agressivo e cruel, Não sente culpa ou remorsos, mente de forma recorrente, aproveita-se dos outros para os seus propósitos sem escrúpulos.
Personalidade borderline: relações interpessoais instáveis, atos autolesivos repetitivos, humor instável, impulsivo e explosivo, sentimento intensos de vazio e aborrecimento crônico, não consegue ficar sozinho e não suporta o abandono.

Obviamente outras possibilidades de conjunto de características podem existir, sendo pontuadas neste artigo apenas as mais frequentes, porém saliente-se que todas são irreversíveis e comprometem a convivência social do portador.

 

Artigos recomendados