O que é um surto psicótico?


Ás vezes, familiares e amigos são surpreendidos com comportamentos esquisitos de pessoas próximas a eles ocorridos há poucos dias ou semanas. Em alguns casos, estes têm a impressão de estarem convivendo com outra pessoa ou de que a sua maneira de ser tenha se modificado abruptamente. Além disso, a pessoa apresentam condutas que podem colocar sua integridade física em risco, e sendo assim, estas são levadas a procura de uma ajuda médica, seja num pronto socorro ou num consultório. Saliente-se que, se houver algum grau de agitação psicomotora, é mais prudente a avaliação num pronto socorro onde todos os procedimentos possíveis podem ser realizados. Nesse quadro clínico, chamado de “surto ou crise psicótica”, o ponto crítico a ser avaliado pelo profissional procurado é a capacidade de crítica e discernimento do portador deste “estado estranho”. Em meu consultório tenho por hábito conversar primeiro somente com o paciente, dando a total liberdade para que manifeste suas atitudes, dúvidas, ideias ou comportamentos. O objetivo é fazer um exame psíquico adequado sem ideias preconcebidas colocadas por seus acompanhantes, e, ao perceber algum indício de alteração na crítica, posteriormente, conversar também com um acompanhante que deve, na presença do paciente, descrever tudo que esteja chamando a atenção das pessoas. Entendo que para o diagnóstico correto de uma crise com estas características é indispensável avaliar o “discurso subjetivo” (do próprio paciente) e a“impressão objetiva” (do acompanhante) sobre a mesma. Quase sempre torna-se fundamental esclarecer ao próprio paciente e seu acompanhante que não se trata de avaliar a verdade ou possibilidade de mentira nas queixas e sim a distância destas com a realidade bem como os discernimentos dos envolvidos no quadro clínico.
Outro dado importante é que a pessoa portadora apresenta-se em estado de lucidez da consciência, ou seja, esta se encontra clara e adequada quanto à orientação temporo-espacial e não fez ( ou está sob) uso de nenhuma substância psicoativa ou alucinógena.

Principais sinais e sintomas:

Audição de vozes e/ou visão de coisas inexistentes, crenças e medos estranhos, comportamentos confusos, bizarros ou inadequados do ponto de vista social, sensação intensa de apreensão infundada, mudanças abruptas no convívio interpessoal (retraimento, desconfiança, ameaças descabidas), falas desconexas e desorganizadas, estados emocionais extremos e lábeis, agitação e/ou excitação psicomotora, ideias firmemente defendidas que são claramente falsas e não compartilhadas por outras pessoas do grupo social, sensações falsas ou imaginadas. Atitudes estranhas e assustadoras.

Informações ou dicas relevantes:

É fundamental esclarecer as pessoas próximas aos pacientes que a agitação, os comportamentos estranhos e as atitudes assustadoras são sintomas de uma doença mental, portanto, estes não têm crítica do que estão fazendo ou causando aos outros. Sendo assim é preciso assegurar a segurança do paciente e de quem cuida ou convive com ele, com muita atenção na integridade física de todos os envolvidos.
Cabe também assegurar que as necessidades básicas do paciente (p.ex. comida e bebida) sejam satisfeitas.
É preciso minimizar ao máximo o estresse e estimulação no cotidiano destes pacientes. Sugere-se não discutir com as ideias estranhas, pode-se até discordar das crenças, mas não tente argumentar que elas estão erradas. Evite a confrontação ou crítica, a menos que esteja em risco a integridade física de alguém, ou seja, isto torna-se necessário para prevenir um comportamento disruptivo (antisocial).
Nestes casos é sempre necessário a observação rigorosa dos cuidadosres e o uso da medicação psiquiátrica chamada de antispsicóticos. 

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