O que é transtorno do pânico ?


Tem sido cada vez mais comum receber pessoas encaminhadas por colegas clínicos (principalmente cardiologistas ou plantonistas de pronto socorro) com hipótese diagnóstica de “síndrome do pânico”. Por outro lado, geralmente são portadoras de crises de ansiedade com intensidade e característica tal que nem sempre confirmo o diagnóstico dado pelo colega. A crise de pânico é muito específica e tem uma dinâmica peculiar que merece ser ressaltada, até porque isso é fundamental no tratamento a ser feito.

Enfim, em minha experiência, está crise tem sido confundida com crises fóbicas de uma maneira geral, crises de ansiedade inespecíficas, reação aguda ao estresse, fobia social, ansiedade generalizada ou estresse pós-traumático. Em todas essas o tempo de evolução é muito maior, às vezes até horas, e não há uma evidente sensação iminente de morte.

Se bem que para o paciente isso tem pouca importância, pois a estranheza do quadro e o início abrupto traz um aparente sofrimento similar. Em linhas gerais, o que posso dizer é que a crise de pânico “verdadeira” atendida num pronto socorro quase sempre leva a equipe assistente tomar todos os cuidados para os primeiros socorros de um possível infarto do coração, somente esclarecido diante de um EEG normal. Sendo assim quase sempre preciso esclarecer aos pacientes essas diferenças diagnósticas até para tranquilizá-lo; dando-lhes condições de uma melhor conduta numa próxima ocasião do evento.

Principais sinais e sintomas:

Ataques sem explicação de ansiedade e medo que começam subitamente, causando mal estar geral rapidamente e duram poucos minutos (no máximo 20min). Os ataques caracterizam-se por sintomas físicos intensos de palpitações, dor no peito, sensação de sufocação, estomago embrulhado, tonturas, sensação de irrealidade e medo de desastre pessoal (ataque cardíaco, morte súbita ou de ficar louco). A descrição clínica dada pelo seu portador, na prática, não se diferencia de um infartado do coração. Posteriormente a um primeiro ataque o sofrimento se estabelece por conta do medo da pessoa em ter um novo ataque, ou seja, as “novas crises”, na verdade, são o mal estar do risco e/ou medo da crise.

Informações ou dicas relevantes:

Existem muitas condições médicas que podem causar sintomas semelhantes a ataques de pânico (arritmias, isquemia cerebral, doença coronariana, tirotoxicose). Todas podem ser excluídas com uma boa anamnese, exame físico e laboratorial.
Os ataques não ocorrem apenas em situações temidas específicas, o que os diferenciam das crises fóbicas.
O transtorno tem tratamentos eficazes (medicamentosos e procedimentos corporais /respiratórios)
A ansiedade de uma maneira geral traz sempre desconforto físico, mas nem sempre são sinais de uma doença clínico-orgânica. Por outro lado, ela também provoca sintomas subjetivos, pensamentos assustadores. Porém todos podem ser cessados a partir do controle da ansiedade.
Em caso de uma suspeita diga a si mesmo que isso é um ataque, que os pensamentos e sensações assustadoras logo passarão. Observe o tempo em seu relógio (apesar de parecer um longo tempo, vai perceber que são poucos minutos). Procure respirar bem lentamente e de forma relaxada.

Propostas de cuidado adequado:

Aconselhar o paciente a dar os seguintes passos, se ocorrer um ataque
1.   Permanecer onde estiver até que o ataque passe
2.   Concentre-se em controlar a ansiedade e não os sintomas físicos
3.   Pratique respiração lenta e relaxada
4.   Evite respiração muito profunda e rápida, pois isso pode causar hiperventilação facilitando os sinais clínicos do pânico.

Além disso, também é pertinente:
Identificar a presença de medos exagerados que ocorrem durante um ataque (por exemplo, de um infarto do coração).
Discutir e construir estratégias com a pessoa para desafiar esses medos.
Grupos de autoajuda, ou a troca de experiência com portadores do transtorno ajudam ao aprendizado do manuseio do quadro clínico.
O uso de calmantes/benzodiazepínicos sublinguais é adequado e pertinente para as crises, porém cabe o esclarecimento de não confundir “ataques” com “medo das crises”.
O uso de antidepressivos diariamente por algum tempo também pode ser preconizado.
A abordagem cognitivo-comportamental é uma ajuda psicológica bastante efetiva.
Evitar consultas médicas, exames e medicações desnecessárias.

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