O que é fobia ?


Considerando a dinâmica social atual, onde o desempenho passa a ser cada vez mais cobrado das pessoas (em todos os sentidos), é cada vez mais comum em meu consultório eu ser procurado por alguém que sistematicamente vem restringindo sua vida social e/ou atividade específica por conta de uma sensação de intenso medo que racionalmente não pode ser explicado. Inclusive, até mesmo para vir à consulta a pessoa sente-se insegura e com medo da conduta que, enquanto, profissional eu possa tomar. Ou seja, tem medo de fazer compras, visitar pessoas, falar em público, espaços abertos ou lugares de multidões, viajar de ônibus, carros ou aviões, em fim participar de vários eventos sociais.

De uma maneira geral, minha impressão é que o sofrimento se estabelece toda vez que o portador desse transtorno sente-se, de alguma maneira, exposto ao outro ou ao meio ambiente. Está insegurança absurda chega a tal ponto que, até mesmo as reações mais simples, a partir dos efeitos de medicações em uso, são percebidas como insuportáveis e por esse motivo não são os pacientes mais obedientes e/ou aderidos adequadamente ao tratamento inicial. Por esse motivo, costumo até dizer que “o fóbico tem tanto medo da vida que se sente inseguro até mesmo com a melhora clínica imposta pela medicação”.

Principais sinais ou sintomas:

Medo irracionalmente intenso de lugares ou eventos específicos, sendo que seu portador frequentemente evitam essas situações, porém quando submetidos a elas costumam apresentar sintomas físicos como palpitações, falta de ar, sudorese, sensação de síncope ou mal estar geral, tremores de extremidades, boca seca, náuseas e ruborização excessiva.

Informações ou dicas relevantes:

É importante acreditar que as fobias podem ser tratadas, salientando que evitar as situações temidas permite que o medo se torne ainda mais forte.
Nesse caso, é fundamental seguir um conjunto de orientações específicas que podem ajudar a pessoa superar seu medo. Portanto, optar ou não se esforçar adequadamente, por exemplo, para estar em uma situação temida compromete sua melhora clínica.
Abandonar empregos, atividades escolares ou tarefas cotidianas causadoras das crises não são soluções válidas.
A medicação faz efeito, porém não da forma, no tempo ou com as reações que, de uma maneira mágica, o portador espera ou tem expectativa.
Neste quadro, ainda mais especialmente, o uso de remédios deve ser feito, quando necessário, sob orientação de um especialista (de preferência seu assistente).
Nem sempre a frequência regular e persistente ao Pronto Socorro é a melhor saída, ou, então, comunique ao plantonista ser portador do quadro fóbico para que sua avaliação possa ser mais adequada e pertinente.
Não há solução mágica, mas é indispensável acreditar e estabelecer uma relação de confiança com o especialista e o psicólogo assistente.
O problema não é o medo em si, mas o aprendizado da convivência com a sensação de desconforto que esta emoção traz.    

Propostas de cuidado adequado:

Encorajar e orientar o paciente a praticar métodos de respiração controlada para reduzir alguns sintomas físicos de medo.
Discutir com o paciente algumas formas do mesmo desafiar e/ou enfrentar seu medo exagerado. Planejar juntamente com o mesmo uma série de passos que permitam o enfrentamento da situação causadora do medo de maneira segura, ou que o mesmo possa se acostumar com o desconforto.
Não é adequado tomar álcool ou calmantes horas antes de praticar os passos.
Identificar um amigo, parente ou membro da família que possa ajudá-lo e/ou acompanhá-lo na superação do medo.
Se a situação temida ainda causa um nível de ansiedade insuportável, a pessoa deve praticar os exercícios respiratórios, dizendo a si mesmo que o medo irá passar nos próximos 30 minutos. Sendo que o mesmo não deve abandonar totalmente a situação temida até que o desconforto/medo tenha passado.
A abordagem psicológica cognitivo-comportamental é muito eficiente nestes quadros, facilitando sobremaneira a evolução clínica do mesmo.
Havendo necessidade, o uso de alguns antidepressivos, por exemplo, os ISRS são bastante eficazes. Por outro lado, e com muito cuidado em evitar os exageros, também o uso de benzodiazepínicos de ação rápida podem facilitar a aderência inicial ao tratamento.

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