Trabalho pra viver ou vivo pra trabalhar?


Alguns trocadilhos escondem em seu jogo de palavras, reflexões extremamente indispensáveis para o esclarecimento da nossa condição de vida. Se for uma pergunta capciosa, então, é quase como um “soco no estômago” nos fazendo “digerir ideias” e “vomitar aprendizado”, por exemplo: a gente trabalha pra viver ou vive pra trabalhar?

Para algumas pessoas que me procuram no consultório, insatisfeitas com seu dia a dia profissional e o contexto do ambiente de trabalho, gosto de propor essa reflexão. Principalmente para  aquelas que se queixam das dificuldades na aquisição de bens necessários a sua boa qualidade de vida (sejam eles quais forem). Consequentemente, saem correndo por ai como “baratas tontas” em busca de “coisas” que custam muito caro (e aqui não falo do financeiro propriamente dito) a si mesmo e sua condição de existência. Se questionados pelos mais próximos quanto ao ritmo adotado,a resposta vem na lata e sem pestanejar: “Eu preciso trabalhar, senão o bicho pega”. Torna-se pertinente retrucar: “que bicho? Suas expectativas ou a dos outros? Pega pra quem e por quê? Quais são as contrapartidas recebidas? Quais renúncias oferecidas?

Obviamente que as respostas são pessoais e as justificativas dadas são até pertinentes, mas sem dúvidas que são boas perguntas (auto reflexivas) sobre as atitudes assumidas e “não percebidas” quanto ao que se está fazendo no cotidiano. Pergunto: está divertido?! A meu ver, é fundamental que esteja assim como eram as brincadeiras infantis.Cá entre nós, vejo o trabalho para o adulto como a brincadeira para criança, onde exercemos papéis, inventamos expectativas, fantasiamos desejos, criamos heróis, combatemos vilões, entramos em competições e estratégias para podermos ser, estar, dialogar e buscar maneiras de existir e reconhecer o mundo a nossa volta. Cada um com sua forma de “professar” sua importância no convívio social. Dai a profissão!

E a relação entre trabalho e dinheiro em espécie? Bem, coube aos gregos, no sec., VII a.C., a invenção da moeda (como hoje é conhecida) numa tentativa de facilitar o acesso das camadas mais pobres às riquezas, o acúmulo de patrimônio e a coleta de impostos. As trocas comerciais anteriores, através de bois, imóveis e/ou outros materiais geravam muita confusão e mais uma vez o “Estado” foi chamado a organizar as relações entre os cidadãos. Porém, e com o passar dos anos, a humanidade corrompeu mais uma boa idéia e estabeleceu “valores” a esse tal dinheiro que escondem (ou nos fazem desvalorizar) outros custos tão ou mais importantes embutidos na sua aquisição – tempo e energia mental, por exemplo. As coisas do mundo custam um maior valor também conforme o tempo e a energia necessários a sua aquisição. Dito isso, e considerando as pontuações feitas anteriormente, cabe salientar que aquele que trabalha justificando como objetivo somente a possibilidade de ganhar dinheiro e adquirir maior poder de compra, esta sendo, no mínimo, simplista. Ou seja, a motivação para trabalhar é mais complexa e está relacionada, sem dúvida á própria relação com o mundo. Óbvio que aqui estou considerando todo e qualquer tipo de trabalho.

Certa ocasião, Oscar Schmidt (ex-jogador de basquete) fez uma colocação genial durante uma entrevista, disse ele algo do tipo: “os brinquedos, com o passar dos nossos anos, só vão ficando mais caros”. Sendo assim, retomando nossa frase-provocação inicial, seja sincero; você vive pra trabalhar ou trabalha pra viver bem? Conforme sua resposta vai descobrir se está se divertindo na profissão ou como sua vida anda sem graça. Isso mesmo! Porque todo e qualquer trabalho nos remete aos quintais onde a gente brincava e o dia tinha sua alegria. Afinal, de que nos adianta os brinquedos se não nos divertimos com eles. Com certeza alguns insistirão em dizer: “mas é preciso ganhar dinheiro, meu caro, senão”?! A estes sugiro a reflexão: quanto custa sua qualidade de vida em moedas? Aliás, você gasta com ela?

Quanto a obter qualidade de vida... Basta fazer seu dia ter a mesma graça de infância. E aqui não é ser repetitivo, é fato!
Enfim o mundo é um grande parque de diversões onde os brinquedos só mudam de preço, perigo, satisfação e conquistas finais.

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