Sonho de um “muleque” dado a escrever


A primeira vez que pensei em escrever um livro eu tinha uns 12 anos. Era um “muleque” sonhador, idealista e curioso. Tinha certa facilidade nas aulas de redação,era dado a por no papel meus sonhos e “aventuras” imaginadas. Segundo os professores, levava jeito para a escrita e/ou tinha a cabeça cheia de impressões sobre o mundo, além de uma necessidade enorme de por isso num papel. Admito até que comecei a encher um caderno com algumas histórias sobre meu colégio, os colegas e as aventuras que criávamos pra nós mesmos, mas eu era muito inseguro, tinha receio de que ninguém tivesse interesse. Em algum momento abandonei aquele projeto e, cá pra nós,também era muito pretensioso, achando que todos tinham que ler minhas histórias. Coisas de “muleque”!

 O garoto cresceu continuando cheio de “impressões” e mantendo a necessidade de colocá-las num papel. Comecei a realizar esse sonho ao escrever alguns artigos e/ou crônicas pra jornais, até cheguei a um primeiro livro solo publicado em 2011. Também já escrevi outros três em parceria (2002, 2005, 2012) e, ao fazer doutorado, óbvio, tive que escrever uma tese. E ai, novamente alguém (a editora Appris de Curitiba/PA) achou que eu levava jeito nesse processo de escrever e, portanto, fui convidado a publicar o conteúdo dessa tese como um livro em 2013. O curioso dessa história é que nessa obra novamente abordo minhas impressões sobre meu cotidiano (agora profissional) e as relações com os colegas.  O livro (aqui divulgado) aborda o contexto e a realidade da construção de um serviço de saúde mental em um município de pequeno porte, os desafios, obstáculos e conquistas diárias de um grupo multiprofissional que se propôs a ser uma “equipe assistente”. As impressões, agora, são analisadas e colocadas com rigor acadêmico, além de cuidadoso estudo e análise a luz de referenciais teórico-metodológicos da Análise Institucional.

 O livro alçou vôo, andou pelo mundo acadêmico e fez um itinerário de sucesso, sendo bem aceito e lido, conseqüentemente, a primeira edição esgotou e chegamos a sua segunda edição. E como diz minha orientadora, profa. Solange L`Abbate, “mostrando o crescente interesse dos profissionais de saúde pela área da Saúde Mental”. Particularmente, fico bastante satisfeito, pois, a proposta ali pesquisada é pertinente à realidade brasileira e se propõe facilitar a construção de serviços de saúde mental para a maioria dos municípios (já que 70% deles são de pequeno porte e tem menos de 20 mil hab.), semelhantes ao perfil do município o qual tive o privilégio de investigar: Paraisópolis/MG.

E assim vejo realizado o sonho daquele “muleque” dado a escrever que, aqui dentro, continua sonhador, nem tanto idealista, mas sempre curioso e com vontade de por no papel suas “aventuras” do/no cotidiano. Quanto à insegurança... Bem, tive o privilégio de ser acolhido pelo meu grupo de pesquisa “Analise Institucional e Saúde Coletiva” que, além de me estimular a continuar minhas investigações e produção acadêmica, jamais me deixaram cair na “armadilha” da pretensão.Sendo assim, não tenho a necessidade de ser lido por todos, mas quero sempre construir algo através da minha escrita. Daí essa divulgação!

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