Partidos políticos não roubam, pessoas sim


PT ladrão; PMDB oportunista;  PSDB omisso;  PSOL vagabundo;  DEM corrupto: todas estas afirmações foram retiradas das Redes Sociais em discussões polêmicas e acaloradas entre os simpatizantes desses partidos políticos. Confesso que minha impressão sobre a situação é de muito mais semelhanças, principalmente nas posturas e maneiras de se posicionar, do que diferenças entre estes simpatizantes, apesar de “discursarem” com veemência a existência de“ideologias” conflitantes ali colocadas. O fato é que com a oportunidade dada, por exemplo, no Facebook, as pessoas têm debatido mais e mais sobre vários temas. O que considero extremamente saudável, porém algumas coisas precisam ser melhor observadas ou contextualizadas, principalmente quando o assunto é política. Obviamente que a liberdade de expressar as opiniões sempre será mais adequado para uma sociedade, a meu ver, mas essa troca de informações, a construção ou fundamentação de novas ideias, bem como o crescimento pessoal, serão também sempre potencializados? Depende.

Saliente-se que é preciso muito cuidado ao se usar adjetivos para qualificar algum substantivo. Faz sentido?! Nem sempre. Vejamos, por exemplo, o que seria um “partido político”: nada mais, nada menos que um agrupamento de pessoas com visões similares sobre a organização da sociedade, principalmente em relação ao papel do Estado nessa comunidade. Sendo que este agrupamento se organiza e propõe estratégias para conquistar o poder e, assim, colocar em práticas suas propostas de governo. Obviamente, portanto, que nesse agrupamento há diferentes interpretações das diretrizes e pontuações instituídas no seu programa partidário. O interessante é que algumas dessas pontuações até são bem parecidas em vários partidos, mas seus militantes agem e "vociferam” aos quatro ventos como se assim não fossem. Aquilo que leem em seus programas, quase sempre são interpretados conforme o momento e possibilidade de alcance do tão necessário poder. Só assim é possível entender, por exemplo,algumas alianças partidárias. Cá entre nós: vale tudo para estar à frente de um governo, até “negar” o que está escrito no seu programa. Enfim, pensar ou avaliar um partido político (ou qualquer outro agrupamento humano) como se fosse um único indivíduo é um dos erros mais bizarros a se cometer. Generalizar causa “miopia” e burrice nas analises.

Assim sendo, é preciso estar atento aos equívocos cometidos pelas pessoas envolvidas num debate em que se qualifica um agrupamento (seja ele qual for) como se fossem “um ladrão”, “um vagabundo” ou “um oportunista”. Sinto muito, mas dessa forma, este não existe ou estas qualidades não são pertinentes. O pior, a meu ver, são os exageros de análise cometidos ao se desconsiderar contextos sociais, processo histórico oua situação socioeconomicocultural vigente e simplesmente se posicionar contra o “ladrão”, o “oportunista” ou “vagabundo”, quase sempre com um raciocínio maniqueísta, além de exigir do outro a mesma posição ou opinião. Nesse caso, o não concordar com ambas as posições (contra ou a favor) é visto como isenção e/ou alienação, nunca uma ponderação mais profunda, distanciamento ou recusa daquilo que se está discutindo, em detrimento da ideia, o valor, proposta ou tema relevante. Ressalta-se que a estratégia da imposição é sempre um desrespeito a autonomia do outro.

Concluindo, entendo ser necessário partirmos para os debates sem, por exemplo, cometer o equívoco de “partidarizar” a ética, como se fosse possível atribui-la a um ou outro partido qualquer. Torna-se cada vez mais indispensável olhar para o coletivo e analisa-lo enquanto coletivo. Discutir ideias, visões de mundo ou de sociedade, papel do Estado e estratégias de governo é fundamental para qualquer cidadão. Todos deveriam se propor a fazer. Mas é preciso estar atento aos agentes políticos naquilo que representam e como constroem suas propostas de poder.

Ate porque, cá entre nós, partidos políticos não roubam, pessoas sim

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