O que é esquizofrenia?


Algumas pessoas, geralmente jovens, em um determinado momento de suas vidas tornam-se muito estranhas, com sérias dificuldades de relacionamento, discurso esquisito (ou fora da realidade), comportamentos bizarros, admitindo ouvir vozes e/ou ter adquirido capacidades (ou poderes) absurdas. Este processo mental pode ser o início de um grave transtorno mental chamado esquizofrenia, que evolui com sintomas psíquicos bastante comprometedores e que necessitarão de tratamento e/ou controle clínico por longos anos.

Infelizmente o quadro clínico não tem uma cura propriamente dita, mas, conforme o tipo e se a abordagem inicial for adequada, muito se pode fazer para uma boa qualidade de vida ao seu portador.A esquizofrenia é um processo psicótico endógeno de evolução crônica, com consequente desagregação mental e alteração do juízo de realidade de seu portador.Os principais sinais e sintomas são: audição de vozes ou visão de coisas inexistentes, crenças e medos estranhos (ou absurdos), comportamentos confusos, bizarros e inadequados do ponto de vista social, dificuldades extremas de convívio interpessoal (retraimento, desconfiança, ameaças descabidas), falas desconexas e/ou desorganizadas, episódios de agitação psicomotora, ideias firmemente defendidas que são claramente falsas e não compartilhadas por outras pessoas do grupo social.

 Avaliando a história de vida de seu portador fica claramente observável que em determinado momento houve uma ruptura em sua personalidade, causando a impressão de que se tornou outra pessoa e nunca mais funcionou adequadamente do ponto de vista afetivo, familiar e social.Até o momento não se tem constatado ou descoberto as causas específicas dessa doença mental, porém há sérios indícios de que a hereditariedade é um fator componente e importante, associado a alguns fatores ambientais que potencializariam a vulnerabilidade e/ou predisposição ao transtorno.

Existem, conforme evolução e principais sinais e sintomas, seis tipos de esquizofrenia:

  1. Simples: costuma começar na adolescência com emoções irregulares ou pouco apropriadas, pode ser seguida de um demorado isolamento social, perda de amigos, poucas relações reais com a família e mudança de personalidade, passando de sociável a antissocial e terminando em depressão. 
  2. Paranoia: caracteriza-se por audição de vozes ou visões ameaçadoras. Frequentemente, acreditam serem vítimas das demais.
  3. Desorganização - consiste em um pensamento desorganizado, comportamento que parece incoerente aos demais e falha na expressão de emoções.
  4. Catatonia - pessoas com esquizofrenia catatônica podem ficar andando sem rumo ou falar excessivamente e sem razão, permanecerem paradas e caladas, ou até mesmo em uma mesma posição por um longo período.
  5. Indiferença - este tipo de esquizofrenia é uma categoria genérica para os que possuem uma mistura de sintomas que não se encaixam bem nas demais categorias.
  6. Residual - se alguém tem histórico de esquizofrenia e passa por um período com sintomas negativos (embotamento afetivo, tendência ao isolamento social, apatia ou indiferença afetiva), sem apresentar os sintomas positivos (alucinações, delírios), pode-se caracterizar esquizofrenia residual.

É indispensável o uso de medicação antipsicótica, sendo esta prescrita em doses adequadas e de maneira regular. Nesse caso, é preciso garantir às vezes, através da administração supervisionada, o uso dos remédios. Ou seja, não cabe deixar as medicações, nas crises, sob os cuidados do próprio paciente. Porém, excetuando-se estes momentos, cabe orientar e ensinar o paciente quanto à necessidade do uso correto das medicações e estimular sua própria responsabilidade e autonomia no seu tratamento.A medicação deve ser administrada por um longo tempo, geralmente anos, portanto, deve-se fazer um controle clínico rigoroso quanto aos efeitos colaterais dos remédios.

O tratamento contínuo é fundamental, onde a abordagem multiprofissional pode ser necessária conforme as singularidades do caso, ou seja, além da abordagem médica, pode ser preciso ajuda psicológica, de uma terapeuta ocupacional, assistente social, educador físico, etc.Com os recursos atuais das medicações usadas nestes quadros, pode-se afirmar serem desnecessários internações longas e isolamento do paciente do convívio social. Ou seja, não é necessário colocar o paciente em instituições asilares. Pelo contrário, isso piora a evolução e o quadro clínico residual.

É recomendado, sempre que possível, encorajar a retomada das atividades normais do cotidiano do paciente, não discutir, propor ou decidir questões relevantes na vida do paciente sem o seu conhecimento.A confiança na relação médico-paciente é indispensável para um bom prognóstico e tratamento, portanto, os familiares devem ser orientados a não infringir a “ética” nestes casos, por exemplo, conversar com o médico, passar informações, programar mudanças nas propostas terapêuticas sem a anuência do paciente. Havendo discordâncias, cabe ao profissional médico buscar a negociação e preservação da autonomia mínima necessária do seu paciente enquanto sujeito e cidadão. Por outro lado, cabe salientar a indispensável necessidade de participação e aderência dos familiares ao plano de tratamento. 

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