Estresse: dicas e informações


É cada vez mais comum no consultório a presença de pessoas referindo-se estarem“oprimidas” em situações de trabalho, escolares, familiares, amorosas ou sociais. Geralmente mostram-se incapazes de encaminhar uma solução para os seus problemas e por isso mostram-se impotentes e inseguras. Sendo assim, queixam-se da qualidade de sono, dor de cabeça recorrente e/ou mal estar gastrointestinal ou até uma sensação de palpitações e/ou aperto no peito. Atribuem fatores desencadeantes e traumáticos recentes, e, portanto, admitem estar reagindo a um evento externo a sua vontade. Por conta disso sentem-se angustiadas, ansiosas, preocupadas e com um sentimento de incapacidade para funcionar no cotidiano de maneira eficiente. Há um evidente prejuízo da produção/capacidade profissional, escolar e de relacionamento interpessoal. Por outro lado,ressaltam um desejo e tentativas de sair dessa conjuntura, porém sem êxito. Além disso, considerando as singularidades atuais quanto ao uso da medicação na sociedade, trazem sempre uma expectativa de que o remédio possa lhes dar força e capacidade para solucionar o quadro momentâneo apresentado. Este contexto perdura por alguns dias ou semanas, comprometendo,gradativamente,cada vez mais seu bem estar de uma maneira geral.

Principais sinais e sintomas:

No quadro clínico, predominam um sofrimento extremo resultado de um evento recente e/ou preocupação com o mesmo, além de insônia (geralmente há uma dificuldade recorrente para iniciar o sono), cefaleia, dor abdominal ou má digestão, dores musculares (ou sensação de peso nos ombros), discreto rebaixamento do humor, porém específico e direcionado á um ambiente ou contexto vivenciado, inquietação e/ou excitação psicomotora. Conforme características de personalidade, ou maneira de lidar com a frustração, pode haver uma maior valorização dos sintomas físicos e/ou dificuldades de convivência com os mesmo.

Esclarecimentos relevantes:

1. A condição humana e as singularidades da “vida moderna” facilitam eventos que predispõem efeitos mentais e físicos. Porém, os sintomas relacionados a esse quadro clínico duram apenas alguns dias ou semanas. Caso contrário, trata-se de outro transtorno (ansiedade generalizada).
2. Há sempre uma importância subjetiva que se dá a um evento, sendo esta única, singular e, portanto, deve ser avaliada dentro do contexto da pessoa que o vivencia.
3. Cuidado para não desvalorizar a capacidade da indústria farmacêutica de sedução e divulgação de“formulas mágicas” para resolução de conflitos emocionais. Salienta-se que o remédio tem uma ação fisiológica específica e consequentes efeitos terapêuticos e colaterais. Portanto, cabe sempre a avaliação criteriosa do custo e benefício do seu uso em situações como estas descritas até aqui.
4. Em tempos de modernidade tecnológica, a qualidade de vida costuma estar baseada ou ser estimulada por condições que extrapolam os limites materiais, financeiros, emocionais e culturais das pessoas. Daí o descuido, ou sensação de frustração, frequente e comum nos dias atuais.
5. Boa alimentação, sono adequado, atividades físicas, lazer e bons relacionamentos são excelentes “remédios” (soluções) para o estresse.
6. Ir ao consultório médico não significa obrigatoriedade de sair da consulta com uma receita de medicação. Outras “receitas” e/ou orientações, que são fundamentais, podem e devem ser dadas.
Concluindo, se for realmente necessária uma avaliação quanto ao estresse, é adequado procurar um especialista que avalie todo o contexto pessoal, circunstancial e constitucional vigente.

Propostas de cuidado adequado:

Particularmente, na grande maioria das vezes, não proponho medicações para reações agudas ao estresse. Quase sempre com alguns alertas na consulta e a ajuda psicológica por algumas sessões resolvem ou encaminham uma solução adequada ao problema.Há casos em que sugiro uma reavaliação clínica após estas sessões e, se necessário, utilizarmos do recurso medicamentoso de forma secundária e breve. Evito os benzodiazepínicos (calmantes). Atualmente temos no mercado alguns antidepressivos com ações ansiolíticas interessantes e sem o risco da dependência. É fundamental que a pessoa seja orientada quanto à ilusão da medicalização para solução de problemas. Remédio não resolve problemas de adaptação ao cotidiano.
Quase sempre cabe uma boa revisão da rotina de vida vigente, as estratégias para elaboração das inevitáveis frustrações da realidade, e a reflexão sobre as opções escolhidas no dia-a-dia.
É fundamental a construção, estimulo ou adequação de uma rede social de apoio (parentes, amigos, recursos da comunidade, etc.).
Em alguns casos, o repouso físico pode trazer alívio imediato e reabastecimento das energias necessárias para a luta cotidiana. Por outro lado, em outros, o encorajamento ao retorno das atividades comuns e diárias, o mais rápido possível,também pode ser terapêutico e adequado, pois é necessário revisar e reforçar os passos positivos que podem ser dados para lidar com a realidade limitante. Portanto, não é simplesmente “diminuir” a carga de trabalho e/ou atividades.
O importante é não esquecer, descuidar ou não prestar a atenção necessária as suas limitações e potencialidades, pois,independente das circunstâncias externas, somos acima de tudo aquilo que fazemos de nós mesmos.

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