Ansiedade generalizada: dicas e informações


As pessoas portadoras desse transtorno costumam procurar o médico referindo inquietações e preocupações excessivas em relação ao cotidiano e/ou familiares. Quase sempre sofrendo de forma infundada e antecipada, sentindo-se ameaçada por algo que, segundo ela, sempre irá acontecer. Às vezes são poliqueixosas, fazendo vários tratamentos médicos, sem uma resposta satisfatória à proposta dos profissionais (mesmo sendo esta adequada e atualizada). Percorrem quase uma via sacra com visitas a vários especialistas e exames laboratoriais (estes sempre com resultados que não justificam as queixas). São inquietas, rabugentas ou irritadas. Querem resolver os problemas de todos e desvalorizam questões pessoais simples, ou seja, são extremamente descuidadas consigo mesmas. Na consulta querem resultados rápidos, imediatos e, por que não dizer, mágicos. Particularmente, minha orientação inicial é mostrar-lhes a necessidade de objetividade, paciência e dedicação consigo mesmas e com as orientações dadas. Infelizmente sempre experimentam uma frustração inicial por acreditar que a medicação resolverá todos os seus problemas. Algo que cabe ao psiquiatra, desconstruir e adequar.  Daí o sofrimento, por necessitar perceber que o verdadeiro obstáculo está dentro de si e não fora dele (como costuma imaginar), por exemplo, com as pessoas, familiares, trabalho, escola, etc.Sendo assim, cabe salientar que, no "frigir dos ovos",  não é a ansiedade o seu verdadeiro problema, mas a incapacidade da pessoa em administrá-la. Portanto, o objetivo fundamental a ser perseguido é uma boa qualidade de vida (em todos seus aspectos)... E de preferência sem pressa!

Principais sinais e sintomas:

Tensão física e mental, dificuldades de concentração, inquietação e incapacidade de relaxar, cefaléia, dores musculares, tremores, sudorese, taquicardia e mal estar geral em situações de exigência do ambiente externo, má digestão, má qualidade do sono, geralmente com dificuldade em iniciá-lo ou mantê-lo, irritabilidade nas relações interpessoais e dificuldades intensas em administrar seu dia-a-dia. Sofrimento antecipado com os desafios cotidianos. A evolução do quadro é crônica e em alguns casos os portadores colocam-se como se sempre fossem assim.

Esclarecimentos relevantes:

A ansiedae é uma condição natural do ser humano e, ás vezes, até necessária para que o mesmo torne-se “agressivo” (ou com energia suficiente) para que assuma uma postura de enfrentamento do obstáculo. Portanto, a luta cotidiana exige sempre certo nível de tensão.
Essa ansiedade bem administrada e percebida pode, inclusive, ser benéfica e conduzir-lhe á conquista de seus desejos. Por outro lado, é preciso cuidado, respeito e adequação aos seus limites físicos e mentais.
A utilização de remédios em alguns casos pode ser inadequada, incompatível e extremamente desnecessária, principalmente se as expectativas colocadas sobre estes forem descabidas. Remédio não ensina ninguém a administrar seus problemas de qualquer natureza.
A atividade física prazerosa ou qualquer atividade relaxante é fundamental para prevenir estes quadros.

Propostas de cuidado/tratamento adequados: 

Os remédios são sempre secundários nestes quadros, mas se forem usados devem ser por tempo limitado e sob orientação de um profissional capacitado. É inadmissível, portanto, o uso contínuo de medicação para a ansiedade.
Procure sempre uma estratégia própria para encaminhar seus problemas de tal forma que não se tornem maiores do que já são. Os pianos são sempre pesados para todos, a saída está na forma de carregá-los.
A abordagem corporal como forma de tratamento é válida, necessária e quase sempre mais adequada nestes casos, por exemplo, massagem de relaxamento, acupuntura, atividades físicas orientadas, caminhada diária, etc. Há situações, por outro lado, que somente com ajuda de uma psicoterapia a mudança de hábitos (algo difícil de se por em prática, diga-se de passagem) pode ser efetivada de maneira pertinente.
Portanto, em alguns casos pode ser necessário a ajuda de outros profissionais da saúde como psicólogos, fisioterapeutas, educadores físicos, terapeutas ocupacionais, etc.

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